segunda-feira, 17 de março de 2014

Avaliação do Paciente em Estado de Coma

O Estado de Coma representa uma grave manifestação clínica compreendida como uma condição na qual o indivíduo não demostra conhecimento de si próprio e do ambiente, caracterizada pela ausência ou extrema diminuição do nível de alerta comportamental, permanecendo não responsivo aos estímulos internos e externos, com os olhos fechados, e que decorre de:
a) Lesão anatômica ou funcional da formação reticular mesencefálica;
b) Disfunção bilateral dos hemisférios cerebrais;
c) Lesões associadas dessas duas estruturas;


A avaliação neurológica para o estado de coma inclui cinco itens:
1-Nível de consciência;
2-Pupilas e fundo de olho;
3-Ritmo respiratório;
4-Movimentação ocular extrínseca;
5-Padrão de resposta motora.


1. O nível da consciência é analisado através de escalas a partir das quais é obtido um escore do paciente, favorecendo assim a classificação do mesmo quanto ao seu prognóstico e em relação ao uso de medidas intervencionistas. Algumas escalas tomam maior destaque na prática médica, dentre elas: Escala de Coma de Glasgow; Escala de Coma de Jouvet e Escala de Coma de Four. O uso mais simples e frequente se refere à de Glasgow, sendo que a sua maior dificuldade é na diferenciação entre a retirada inespecífica e o padrão flexor. A vantagem da de Jouvet em relação à de Glasgow é que ela permite certa correlação anatômica (alteração da perceptividade = disfunção cortical e alteração da reatividade = disfunção da formação reticular ativadora ascendente ponto-mesencefálica). Sua grande desvantagem, porém, é que tem mais difícil aplicabilidade, o que dificulta o seu uso. Já em relação à de Four, ao contrário da de Glasgow, ela permite a avaliação dos reflexos do tronco encefálico, fundamentais na localização do coma.



2. Quanto às pupilas e ao fundo de olho: O exame de fundo de olho pode mostrar a presença de hemorragias, edema de papila, retinopatia hipertensiva e diabética, que podem auxiliar a chegada ao diagnóstico etiológico. Porém, é absolutamente contra-indicada a dilatação da pupila e dos reflexos pupilares, já estes que nos definem frequentemente o agravamento do estado de coma.

3. A análise do ritmo respiratório, por sua vez, trata-se de um parâmetro com valor relativo porque, frequentemente o paciente em coma apresenta distúrbios pulmonares. Além disso, alterações do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico podem alterar muito o ritmo respiratório.  Por isso o uso do ritmo respiratório como parâmetro de localização de alterações neurológicas não é muito adequado.

4. Os movimentos oculares dependem da ação da musculatura extrínseca ocular, inervada pelos nervos cranianos oculomotor (III), troclear (IV) e abducente (VI). Esses movimentos são conjugados, devido a centros de integração situados no tronco encefálico, sobre os quais se projetam fibras de projeção de várias áreas do sistema nervoso. Assim, a análise da movimentação ocular extrínseca (MOE) pode nos indicar níveis de disfunção em vários pontos do mesmo.

5. O padrão da resposta motora nos permite sugerir, em determinados casos, a existência de patologias estruturais porque a via motora, a qual se estende do giro pré-central até a porção baixa do tronco (bulbo), onde decussa para o lado oposto a fim de atingir a medula cervical, é frequentemente afetada em lesões estruturais do sistema nervoso central.

Referências:
http://www.saude.ba.gov.br/direg/images/arquivos/protocolo.neurologia.pdf

NITRINI R & BACHESCHI A.  A Neurologia que todo Médico Deve Saber. São Paulo, Atheneu, 2004 

Por: Ana Quézia Peixinho Maia
Acadêmica do quarto período de Medicina
Membro da LIPANI

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Cérebro vivo, prêmio "Wellcome Image Awards"

O cérebro humano vivo, durante uma cirurgia de um paciente com epilepsia, no Instituto de Neurologia na Universidade de Londres (UCL). Em vermelho vemos as artérias, com o sangue altamente oxigenado, e em roxo as veias. Não sentimos dor no cérebro, pois não há nociceptores (receptores de dor) ali, por isso a dor de cabeça acontece na meninge (membrana que cobre o cérebro e medula espinhal) ou nos músculos da cabeça/pescoço; por isso é possível efetuar cirurgias no cérebro, sem causar dor ao paciente, pois é uma área apenas de estímulo.

Esta imagem ganhou o prêmio "Wellcome Image Awards".
cérebro humano é cerca de 1/50 avos do peso total do corpo, com as células cerebrais constituídas de cerca de 85% de água. No entanto, 20% da circulação sanguínea é alocada e disponibilizada para o cérebro. O cérebro seleciona, desse sangue circulante, o que ele precisa para o seu funcionamento normal. O cérebro é a parte do corpo que está mais ativa e,
portanto, consome uma alta taxa de energia (daí os 20% do sangue encaminhado para ele).

OCLUSÕES DE VASOS ESPECÍFICOS (Artéria Cerebral Média I)


  • ANATOMIA
A artéria cerebral média dá origem às artérias lenticuloestriadas medial e lateral, que suprem a cápsula extrema, o claustro, o putâmen, a maior parte do globo pálido, parte da cabeça e todo o corpo do caudado e também as partes superiores dos braços anterior e posterior da cápsula interna. A divisão superior geralmente dá origem aos ramos orbitofrontal lateral, frontal ascendente, pré-central (pré-rolândico), central (rolândico) e parietal anterior, enquanto a divisão inferior compreende habitualmente os ramos polar temporal, temporoocipital e temporal anterior, médio e posterior. Os ramos parietal posterior e angular são mais variáveis em relação à sua origem da artéria cerebral média.






  • OCLUSÃO
Um enfarto da artéria cerebral média causa fraqueza contralateral, anestesia, hemianopsia homônima e, dependendo do hemisfério envolvido, distúrbio da linguagem ou alteração da percepção espacial. Se o tronco principal da artéria for obstruído, o infarto afeta a convexidade e estruturas cerebrais profundas, incluindo não apenas os córtex motores e sensitivos sobre a convexidade cerebral como também a alça principal da cápsula interna; a face, o braço e a perna são igualmente afetados por fraqueza e anestesia. Se o infarto poupar o diencéfalo após oclusão da divisão superior, a fraqueza e a anestesia são maiores na face e no braço que na perna. Quando o infarto se limita à região do ramo rolândico, essa fraqueza e anestesia podem ser os únicos sinais. Um pequeno infarto ou lacuna na capsula interna (por oclusão de um ramo lentículoestriado penetrante da artéria cerebral média proximal) pode causar uma síndrome de hemiparesia pura afetando a face, o braço e a perna, porém sem nenhum outro sintoma.

OBS: A angioressonância, método não invasivo, demonstra fluxo vascular arterial ou venoso (conforme os parâmetros utilizados), sem cateterização ou injeção de contraste. Ao contrário da angiografia digital, em que o contraste é injetado em um grande vaso (carótida interna, externa ou uma das Aa. vertebrais) e demonstra o território respectivo, na angiorressonância todos os vasos de alto fluxo são demonstrados simultaneamente (artérias na angiorressonância arterial, ou veias na angiorressonância venosa), dando boa idéia das interrelações anatômicas.
As imagens abaixo foram obtidas de cinco pessoas adultas, de ambos sexos, com angioressonância arterial normal, e são aqui usadas para estudar a anatomia das artérias cerebrais.  As imagens estão apresentadas segundo o plano de incidência - axial, coronal ou sagital.









FONTE:
http://info-radiologie.ch/pt/ressonancia-circulo-willis.php
http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=1&materia_id=417&materiaver=1
Tratado de Neurologia, MERRIT.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

I Simpósio de NEUROINTENSIVISMO da LIPANI!

As inscrições para participar do I Simpósio de Neurointensivismo da LIPANI estão abertas.

Clique no link EFETUAR INSCRIÇÃO e faça já a sua.



Período de inscrição: Início 06/01/2014, Término 07/02/2014
Investimento: R$ 30,00 (até dia 07/02)
Dúvidas: lipanipb@gmail.com


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

FRATURA DE AFUNDAMENTO CRANIANO

A fratura craniana é a ruptura de um osso do crânio. As fraturas estão presentes na maioria das tomografias de pacientes que sofreram lesões cerebrais. As fraturas cranianas podem lesionar artérias e veias, provocando sangramento nos espaços em torno do tecido cerebral. As fraturas podem romper as meninges – as camadas de tecido que revestem o cérebro. Caso isto aconteça, o líquido cefalorraquidiano, que circula entre o cérebro e as meninges, pode sair pelo nariz ou pelo ouvido.

A fratura craniana com afundamento de crânio é o fragmento ósseo fraturado afundado, comprimindo e lesionando o tecido cerebral adjacente. O fragmento ósseo também pode causar a laceração da dura-máter (membrana que envolve o cérebro) resultando no vazamento do líquido cefalorraquidiano.

INDICAÇÕES CIRÚRGICAS:


  • Fratura de afundamento exposta maior que a espessura óssea, cirurgia;
  • Fratura de afundamento exposta sem evidência clínica e/ou radiográfica de lesão dural, ausência de hematoma, sem desenvolvimento > 1 cm, sem acometimento do seio frontal, sem deformidade significante e sem contaminação ferida poderá ser conduzida não cirurgicamente.



Referências:

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

I Simpósio de Neurointensivismo da LIPANI - INSCRIÇÕES ABERTAS

As inscrições para participar do I Simpósio de Neurointensivismo da LIPANI estão abertas.

Clique no link EFETUAR INSCRIÇÃO e faça já a sua.

Período de inscrição: Início 06/01/2014, Término 07/02/2014
Investimento: R$ 30,00 (até dia 07/02)
Dúvidas: lipanipb@gmail.com