domingo, 23 de março de 2014

15 Congresso Europeu de Neurocirurgia

INSCRIÇAO: http://www.eans2014.com/registration/registration#.Uy83WPldWeM
SUBMISSÃO DE TRABALHO: http://www.eans2014.com/scientific-program/abstract-submission#.Uy83ffldWeM

FOTOS DO EANS 2013




27 º Congress Annual ESICM (European Society of Intensive Care Medicine)

A Sociedade Europeia de Medicina Intensiva tem o prazer de recebê-lo para a vida 2014, o 27 º Congresso Anual da Sociedade Europeia de Medicina Intensiva, que será realizada no dia 27 setembro - 1 outubro, 2014.


A ESICM é uma sociedade na vanguarda da pesquisa científica. O slogan, "A Conexão Intensivo" simboliza o compromisso para conectar os membros com a pesquisa, educação, indústria e uns aos outros em todo o mundo.

Este Congresso será um dos maiores encontros de cuidados intensivos, em 2014, com sessões paralelas previstas, acompanhada de mais de 500 palestras, apresentações, debates, mesas redondas, tutoriais e sessões educacionais interativas.

TRABALHOS: http://www.esicm.org/events/annual-congress/abstracts
INSCRIÇÃO: http://www.esicm.org/events/annual-congress/registration


Leia mais em: http://www.esicm.org/events/annual-congress#sthash.a64LHem1.dpuf

www.uems.net#sthash.a64LHem1.dpuf

quarta-feira, 19 de março de 2014

Lesões traumáticas da Medula Espinhal (LTME)

As LTME são com frequências agudas e inesperadas, causando danos irreversíveis e alterando dramaticamente o curso da vida de um indivíduo.
A Lesão Medular (LM) é uma condição de insuficiência parcial ou total do funcionamento da medula espinhal, decorrente da interrupção dos tratos nervosos motor e sensorial desse órgão, podendo levar a alterações nas funções motoras e déficits sensitivos, superficial e profundo nos segmentos corporais localizados abaixo do nível da lesão, além de alterações viscerais, autonômicas, disfunções vasomotoras, esfincterianas, sexuais e tróficas.
As estatísticas mundiais indicam que de 30 a 40 pessoas a cada 1 milhão de habitantes são acometidas pela lesão medular, por ano. De acordo com National Spinal Cord Injury Statistical Center, há aproximadamente 10.000 novos casos de lesão medular a cada ano nos Estados Unidos. (CEREZETTI, 2012).  No Brasil, o rápido e desordenado crescimento urbano, sobretudo nos grandes centros, bem como o aumento da violência urbana, contribuíram para o aumento da lesão medular. Esse aumento se deve principalmente às lesões traumáticas (80%) provocadas por ferimentos com arma de fogo, acidentes de trânsito, mergulhos e quedas. Dentre as causas não traumáticas (20%), destacam-se os tumores, doenças infecciosas, vasculares e degenerativas (CEREZETTI, 2012 apud AACD, 2002).

DIAGNÓSTICO
Avaliação neurológica e Classificação da lesão:
O exame neurológico deve ser realizado segundo protocolo da ASIA (American Spinal Injury Association) onde examinamos a força motora, sensibilidade (28 dermátomos) e reflexos.
A escala ASIA vai classificar a lesão medular em (Figura 1):
A. Completa: Nenhuma função motora ou sensitiva preservadas no segmento sacrais inferiores (S4 e S5);
B. Incompleta sensitiva: Somente a função sensitiva preservada nos segmentos sacrais inferiores;
C. Incompleta: função motora preservada abaixo do nível neurológico, e a maioria dos músculos chaves tem força inferior a 3;
D. Incompleta: função motora preservada abaixo do nível neurológico, e a maioria dos músculos chaves tem força maior ou igual a 3;
E. Função motora e sensitiva normal.
     
Figura 1: Escala ASIA
EXAMES COMPLEMENTARES:
Para determinar o nível ósseo de lesão, iniciamos a investigação com radiografia ântero-posterior e perfil da coluna. Sempre que possível o paciente deve ser submetido a tomografia computadorizada (Figura 2 e 3) para melhor avaliar e classificar a lesão óssea. Tal exame é fundamental nas fraturas cervicais altas e nas fraturas da transição cervicotorácica que geralmente não são bem avaliadas pelas radiografias simples.
O exame de Ressonância Magnética (RM) é indicada nos caso em que constatamos discrepância entre o exame neurológico e os exames de radiografia e tomografia;  nos casos em que o paciente apresenta déficit progressivo; casos de fratura luxação cervical que não podem ser tratados inicialmente com halo craniano, ou que não apresentam redução de luxação cervical com este método e que terão de ser submetidos à redução cirúrgica desta luxação(neste último caso, a ressonância será importante para a indicação da via de acesso cirúrgico); e se houver a suspeita de instabilidade ligamentar da coluna.
Figura 2: Nível da lesão
Figura 3: Lesão, TC


TRATAMENTO DE URGÊNCIA
Todo paciente politraumatizado é considerado como suspeito de lesão medular. Este paciente desde o local do acidente deve ser imobilizado com colar cervical, ser mobilizado em bloco, posicionado em prancha rígida e ser transferido para o pronto socorro (seguir o ATLS).
Chegando ao hospital, ele deve ser movimentado em bloco na maca, ou seja rodado lateralmente (decúbito lateral), mantendo-se a cabeça e a região cervical apoiadas e protegidas, para o exame da coluna torácica e lombar. É mandatório neste momento a remoção da prancha rígida, pelo grave risco de formação de úlceras por pressão. O colar cervical deve ser mantido e preferencialmente removido por médico ortopedista, neurocirurgião ou traumatologista, com experiência em lesões da coluna.
No atendimento inicial, cuidados especiais devem ser tomados quando for necessária a intubação orotraqueal, que idealmente deve ser realizada com auxílio de broncoscopia e com a menor movimentação da coluna cervical, principalmente não realizando a hiperextensão.
Após os primeiros cuidados e estando o paciente adequadamente ventilado e hemodinamicamente estável, serão realizados os exames radiográficos da região supostamente comprometida.   
As fraturas cervicais e as fraturas/luxações cervicais são preferencialmente tratadas no início com halo craniano. Salientamos que tal prática só pode ser indicada em paciente consciente, cooperativo e sem fratura de crânio.
Em casos de fratura sem luxação, deve-se iniciar a tração no halo com 5kg para imobilização até o tratamento cirúrgico. Já nos casos de fratura-luxação, tenta-se a redução incruenta da luxação aumentando sucessivamente o peso da tração e monitorando a frequência cardíaca e respiratória, pressão arterial, nistagmo e nível de consciência. Monitora-se ainda o status neurológico do paciente e a redução da luxação através de radiografia em perfil. Quando bem-sucedida a redução, deve-se retirar o peso sobressalente deixando apenas 5kg e mantendo a tração até a cirurgia.
Quando a tentativa de redução falha, o paciente deve ser encaminhado para RM ou opta-se pela via anterior cervical para remover o disco cervical antes da redução que pode ser realizada via anterior ou por via combinada (anterior mais posterior).
As fraturas toracolombares são inicialmente tratadas com repouso no leito e mudança em bloco de decúbito até o tratamento cirúrgico definitivo.

TRATAMENTO CIRÚRGICO
Estando o paciente estável clinicamente, deve-se realizar o tratamento cirúrgico definitivo das fraturas o mais breve possível.
Nos casos de fratura cervical indica-se a via de acesso dependendo do tipo de lesão classificada pelo Sistema AO. Opta-se pela via anterior nos caso de lesão discal, de falha de tentativa de redução com halo e nos casos do tipo A com falha de coluna de sustentação anterior. Nestes casos, opta-se pela corpectomia e/ou discectomia e estabilização com enxerto de ilíaco ou cage associado a placa cervical.
Opta-se pela via posterior quando a lesão é predominantemente posterior, como nos casos de luxação e sempre que não houver lesão discal associada ou quando a redução com halo craniano foi efetiva. Utiliza-se o método de fixação com parafusos pediculares ou de massa lateral, preferencialmente. Vias combinadas são empregadas nas lesões mais graves, geralmente nas do tipo C da AO.
Nos casos de fratura tóracolombar, emprega-se o método de redução indireta por ligamento taxia e fixação com parafusos pediculares por via posterior. Associa-se a descompressão nos casos de fratura da lâmina que eventualmente apresentem lesões durais que precisem de reparo.
Indica-se a via anterior nos casos do tipo A com retropulsão de fragmento ósseo para dentro do canal, na vigência de déficit incompleto, ou nos casos que evoluem com déficit progressivo mesmo depois da via posterior.

REFERENCIA
CEREZETTI, C.R.N.; NUNES, G.R.; CORDEIRO, D.R.C.L.; TEDESCO, S.. Lesão Medular Traumática e estratégias de enfrentamento: revisão crítica. Rev. O Mundo da Saúde, São Paulo - 2012;36(2):318-326. Disponível em: http://www.saocamilo-sp.br/pdf/mundo_saude/93/art07.pdf. Acessado em: 18 de março de 2014;

Venturini DA, Decésaro NM, Marcon SS. Alterações e expectativas vivenciadas pelos indivíduos com lesão raquimedular e suas famílias. Rev Esc Enferm USP. 2007;41(4):589-96. Disponível em: https://gupea.ub.gu.se/bitstream/2077/684/1/Valtonen%20K%20-%20Ramber%C3%A4ttelse.pdf. Acessado em: 18 de março de 2014.

MERRITT; Tratado de Neurologia.editoria de Lewis p. Rowland. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Diretrizes de Atenção à Pessoa com Lesão Medular. Brasilia: 2013Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_pessoa_lesao_medular.pdf. Acessado em: 18 de março de 2014.

Por: Ronan Vieira
Acadêmico do quarto período de Medicina
Membro da LIPANI

segunda-feira, 17 de março de 2014

Avaliação do Paciente em Estado de Coma

O Estado de Coma representa uma grave manifestação clínica compreendida como uma condição na qual o indivíduo não demostra conhecimento de si próprio e do ambiente, caracterizada pela ausência ou extrema diminuição do nível de alerta comportamental, permanecendo não responsivo aos estímulos internos e externos, com os olhos fechados, e que decorre de:
a) Lesão anatômica ou funcional da formação reticular mesencefálica;
b) Disfunção bilateral dos hemisférios cerebrais;
c) Lesões associadas dessas duas estruturas;


A avaliação neurológica para o estado de coma inclui cinco itens:
1-Nível de consciência;
2-Pupilas e fundo de olho;
3-Ritmo respiratório;
4-Movimentação ocular extrínseca;
5-Padrão de resposta motora.


1. O nível da consciência é analisado através de escalas a partir das quais é obtido um escore do paciente, favorecendo assim a classificação do mesmo quanto ao seu prognóstico e em relação ao uso de medidas intervencionistas. Algumas escalas tomam maior destaque na prática médica, dentre elas: Escala de Coma de Glasgow; Escala de Coma de Jouvet e Escala de Coma de Four. O uso mais simples e frequente se refere à de Glasgow, sendo que a sua maior dificuldade é na diferenciação entre a retirada inespecífica e o padrão flexor. A vantagem da de Jouvet em relação à de Glasgow é que ela permite certa correlação anatômica (alteração da perceptividade = disfunção cortical e alteração da reatividade = disfunção da formação reticular ativadora ascendente ponto-mesencefálica). Sua grande desvantagem, porém, é que tem mais difícil aplicabilidade, o que dificulta o seu uso. Já em relação à de Four, ao contrário da de Glasgow, ela permite a avaliação dos reflexos do tronco encefálico, fundamentais na localização do coma.



2. Quanto às pupilas e ao fundo de olho: O exame de fundo de olho pode mostrar a presença de hemorragias, edema de papila, retinopatia hipertensiva e diabética, que podem auxiliar a chegada ao diagnóstico etiológico. Porém, é absolutamente contra-indicada a dilatação da pupila e dos reflexos pupilares, já estes que nos definem frequentemente o agravamento do estado de coma.

3. A análise do ritmo respiratório, por sua vez, trata-se de um parâmetro com valor relativo porque, frequentemente o paciente em coma apresenta distúrbios pulmonares. Além disso, alterações do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico podem alterar muito o ritmo respiratório.  Por isso o uso do ritmo respiratório como parâmetro de localização de alterações neurológicas não é muito adequado.

4. Os movimentos oculares dependem da ação da musculatura extrínseca ocular, inervada pelos nervos cranianos oculomotor (III), troclear (IV) e abducente (VI). Esses movimentos são conjugados, devido a centros de integração situados no tronco encefálico, sobre os quais se projetam fibras de projeção de várias áreas do sistema nervoso. Assim, a análise da movimentação ocular extrínseca (MOE) pode nos indicar níveis de disfunção em vários pontos do mesmo.

5. O padrão da resposta motora nos permite sugerir, em determinados casos, a existência de patologias estruturais porque a via motora, a qual se estende do giro pré-central até a porção baixa do tronco (bulbo), onde decussa para o lado oposto a fim de atingir a medula cervical, é frequentemente afetada em lesões estruturais do sistema nervoso central.

Referências:
http://www.saude.ba.gov.br/direg/images/arquivos/protocolo.neurologia.pdf

NITRINI R & BACHESCHI A.  A Neurologia que todo Médico Deve Saber. São Paulo, Atheneu, 2004 

Por: Ana Quézia Peixinho Maia
Acadêmica do quarto período de Medicina
Membro da LIPANI

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Cérebro vivo, prêmio "Wellcome Image Awards"

O cérebro humano vivo, durante uma cirurgia de um paciente com epilepsia, no Instituto de Neurologia na Universidade de Londres (UCL). Em vermelho vemos as artérias, com o sangue altamente oxigenado, e em roxo as veias. Não sentimos dor no cérebro, pois não há nociceptores (receptores de dor) ali, por isso a dor de cabeça acontece na meninge (membrana que cobre o cérebro e medula espinhal) ou nos músculos da cabeça/pescoço; por isso é possível efetuar cirurgias no cérebro, sem causar dor ao paciente, pois é uma área apenas de estímulo.

Esta imagem ganhou o prêmio "Wellcome Image Awards".
cérebro humano é cerca de 1/50 avos do peso total do corpo, com as células cerebrais constituídas de cerca de 85% de água. No entanto, 20% da circulação sanguínea é alocada e disponibilizada para o cérebro. O cérebro seleciona, desse sangue circulante, o que ele precisa para o seu funcionamento normal. O cérebro é a parte do corpo que está mais ativa e,
portanto, consome uma alta taxa de energia (daí os 20% do sangue encaminhado para ele).

OCLUSÕES DE VASOS ESPECÍFICOS (Artéria Cerebral Média I)


  • ANATOMIA
A artéria cerebral média dá origem às artérias lenticuloestriadas medial e lateral, que suprem a cápsula extrema, o claustro, o putâmen, a maior parte do globo pálido, parte da cabeça e todo o corpo do caudado e também as partes superiores dos braços anterior e posterior da cápsula interna. A divisão superior geralmente dá origem aos ramos orbitofrontal lateral, frontal ascendente, pré-central (pré-rolândico), central (rolândico) e parietal anterior, enquanto a divisão inferior compreende habitualmente os ramos polar temporal, temporoocipital e temporal anterior, médio e posterior. Os ramos parietal posterior e angular são mais variáveis em relação à sua origem da artéria cerebral média.






  • OCLUSÃO
Um enfarto da artéria cerebral média causa fraqueza contralateral, anestesia, hemianopsia homônima e, dependendo do hemisfério envolvido, distúrbio da linguagem ou alteração da percepção espacial. Se o tronco principal da artéria for obstruído, o infarto afeta a convexidade e estruturas cerebrais profundas, incluindo não apenas os córtex motores e sensitivos sobre a convexidade cerebral como também a alça principal da cápsula interna; a face, o braço e a perna são igualmente afetados por fraqueza e anestesia. Se o infarto poupar o diencéfalo após oclusão da divisão superior, a fraqueza e a anestesia são maiores na face e no braço que na perna. Quando o infarto se limita à região do ramo rolândico, essa fraqueza e anestesia podem ser os únicos sinais. Um pequeno infarto ou lacuna na capsula interna (por oclusão de um ramo lentículoestriado penetrante da artéria cerebral média proximal) pode causar uma síndrome de hemiparesia pura afetando a face, o braço e a perna, porém sem nenhum outro sintoma.

OBS: A angioressonância, método não invasivo, demonstra fluxo vascular arterial ou venoso (conforme os parâmetros utilizados), sem cateterização ou injeção de contraste. Ao contrário da angiografia digital, em que o contraste é injetado em um grande vaso (carótida interna, externa ou uma das Aa. vertebrais) e demonstra o território respectivo, na angiorressonância todos os vasos de alto fluxo são demonstrados simultaneamente (artérias na angiorressonância arterial, ou veias na angiorressonância venosa), dando boa idéia das interrelações anatômicas.
As imagens abaixo foram obtidas de cinco pessoas adultas, de ambos sexos, com angioressonância arterial normal, e são aqui usadas para estudar a anatomia das artérias cerebrais.  As imagens estão apresentadas segundo o plano de incidência - axial, coronal ou sagital.









FONTE:
http://info-radiologie.ch/pt/ressonancia-circulo-willis.php
http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=1&materia_id=417&materiaver=1
Tratado de Neurologia, MERRIT.