segunda-feira, 18 de maio de 2015

ESCALA DE TOKUHASHI

A avaliação prognóstica antes do tratamento de metástases vertebrais é de extrema importância na escolha da modalidade terapêutica. A doença metastática vertebral é de difícil tratamento, tendo o prognóstico de vida do paciente como principal fator de decisão na escolha terapêutica. A escala de Tokuhashi é uma, dentre várias escalas que buscam determinar a sobrevida de pacientes portadores de metástases vertebrais. A escala de Tokuhashi é constituída de seis parâmetros que mensuram a gravidade do quadro clínico (como se segue na tabela 1). Cada parâmetro é graduado de 0 a 2 pontos, com exceção do sítio primário do câncer, que varia de 0 a 5 pontos, sendo que o zero significa pior prognóstico. A sobrevida é estimada de acordo com as pontuações obtidas (de 0 a 8 pontos, seis meses de sobrevida; 9-11 pontos, de seis a doze meses; 12-15 pontos, sobrevida superior a doze meses).
Embora a abordagem terapêutica ainda represente um grande desafio, pode ser facilitada por meio da padronização da conduta, com base em escalas como a de Tokuhashi.
A escala de resultados ou desempenho de Karnofsky (um dos parâmetros utilizados na escala de Tokuhashi) classifica os pacientes de acordo com o grau de suas inaptidões ou deficiências funcionais (quadro 1). Pode ser utilizada para comparar diferentes terapias ou como escala prognóstica em pacientes individuais. Quanto menor a classificação na escala, pior a expectativa de recuperação de enfermidades ou às atividades normais.



Quadro 1: Escala de Resultados de Karnofsky.
Apto para atividades normais e trabalho; nenhum cuidado especial é necessário.
100
Normal; nenhuma queixa; nenhuma evidência de doença.
90
Capacitado para atividades normais. Pequenos sinais e sintomas.
80
Atividade normal com esforço. Alguns sinais e sintomas de doença.
Inapto para o trabalho; apto para viver em casa e cuidar de muitas de suas atividades. As quantidades de assistência e suporte necessário são bastante variáveis.
70
Cuidados para si, incapaz para seguir com atividades normais ou trabalho ativo.
60
Requer ajuda ocasional, porém apto a cuidar de muitas de suas atividades pessoais.
50
Requer ajuda considerável e frequente assistência médica ou especializada.
Inapto para cuidar de si mesmo; requer cuidados hospitalares ou equivale especializado; doença pode estar progredindo rapidamente.
40
Incapacitado; requer cuidado especial e assistência.
30
Severamente incapacitado; admissão hospitalar é indicada, mas a morte não é iminente.
20
Muito doente; admissão hospitalar é necessária, necessitando de terapia e cuidados intensivos.
10
Moribundo; processo de fatalidade progredindo rapidamente.
0
Morte.


Tabela 1- Escala de Tokuhashi modificada (2005)
ERK: Escala de Resultados de Karnofsky






































Referências:

1- Tokuhashi, Y., Matsuzaki, H., Toriyama, S., Kawano, H. & Ohsaka, S. Scoring system for the preoperative evaluation of metastatic
spine tumor prognosis. Spine, 1990; 15 (11), 1110–1112.

2- Tokuhashi Y, Matsuzaki H, Oda H, Oshima M, Ryu J. A revised scoring system for preoperative evaluation of metastatic spine tumor prognosis. Spine (Phila PA 1976). 2005; 30(19):2186-91.

3- Mattana J., Freitas R., Mello G., Neto  M., Filho G., Ferreira C., Novaes C. Estudo da aplicabilidade do escore de Tokuhashi modificado nos pacientes tratados cirurgicamente nos pacientes tratados de metástases vertebrais.Rev Bras Ortop. 2011; 46(4):424-30.                            

 
Por: Thiago Sipriano
Acadêmico de Medicina
Membro da LIPANI


Hematoma Subdural Crônico

O hematoma subdural crônico (HSC) é uma das hemorragias intracranianas mais frequentes, e consiste em uma coleção encapsulada e bem delimitada entre dura-máter e aracnoide contendo uma mistura de sangue fluido e coagulado. A fisiopatologia ainda não está bem estabelecida, mas vários estudos enfatizam que o hematoma se forma pelo sangramento repetitivo das membranas externas e não pela diferença de pressão oncótica entre hematoma e sangue. 
Pela definição, o hematoma subdural é crônico quando dura mais de 3 semanas e mostra-se na TC como lesões iso ou pouco hiperdensas em formato de meia lua. Geralmente acomete homens na sexta década e se apresenta como cefáléia, hemiparesia ou confusão mental, podendo ter uma Escala de Coma de Glasgow inferior a 15 em cerca de 35% dos casos.
Figura 1: TC mostrando HSC no hemisfério esquerdo.
O tratamento cirúrgico pode ser feito por uma trepanação uni ou bilateral com drenagem do hematoma, apresentando uma mortalidade de 12,5%, com 81,3% de cura e 6,2% com sequelas (segundo J. Francisco Salomão et al). A idade avançada e doenças sistêmicas estão associados a uma maior mortalidade, entretanto a faixa etária não contra-indica a cirurgia com uma taxa de cura superior a 60% e mortalidade de apenas 23% (Antunes filho et al). Distúrbios de coagulação (com INR > 1,25 e plaquetopenia <150.000/mm³), relacionados ou não ao uso de anti-coagulantes orais, aumetam significantemente a mortalidade, ressaltando a importância do coagulograma pré-operatório.


Referências

YASUDA, Clarissa Lin et al . Hematoma subdural crônico: estudo de 161 pacientes operados e a relação com alterações no coagulograma. Arq. Neuro-Psiquiatr.,  São Paulo ,  v. 61, n. 4, p. 1011-1014, Dec.  2003 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2003000600023&lng=en&nrm=iso>. access on  11  May  2015. 

SALOMAO, J. Francisco; LEIBINGER, Renê D.; LYNCH, José Carlos. Hematoma subdural crônico tratamento cirúrgico e resultados em 96 pacientes operados. Arq. Neuro-Psiquiatr.,  São Paulo ,  v. 48, n. 1, p. 91-96, mar.  1990 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X1990000100013&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  11  maio  2015. 


ANTUNES FILHO, GD; ALLIEZ, JR; EVA, L; REYNIER, Y; ALLIEZ, B. Análise da cirurgia do hematoma subdural crônico em cem pacientes idosos. Arq. bras. neurocir; 25(4): 156-160, dez. 2006. Available from <http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-462333> acessos em 11 de maio de 2015. 

Por: José Cássio Falcão
Acadêmico de Medicina
Membro da LIPANI

domingo, 5 de abril de 2015

Lista de Trabalhos Aprovados para Apresentação em BANNER - I Congresso Paraibano de Neurointensivismo

Lista de Trabalhos Aprovados para I Congresso Paraibano de Neurointensivismo.

Esperem as regras de construção do banner.


  • LISTA DE TRABALHOS APRESENTAÇÃO BANNER:


1.ASSOCIAÇÃO DE MANITOL COM DIURÉTICOS POUPADORES DE POTÁSSIO EM PACIENTES NEUROCRÍTICOS COM EDEMA CEREBRAL: REVISÃO DE LITERATURA

2.USO DO NIHSS NOS HOSPITAIS DE TRAUMA

3.TRÍADE DE CUSHING: IDENTIFICANDO SINAIS DE HIPERTENSÃO INTRACRANIANA

4.IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE ESTADO VEGETATIVO PERSISTENTE E MORTE ENCEFÁLICA PARA SELEÇÃO DE DOADORES DE ÓRGÃOS

5.RELATO DE CASO: SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ

6.HEMATOMA SUBDURAL AGUDO E INTERVALO CIRÚRGICO: UMA INTERVENÇÃO MAIS RÁPIDA REALMENTE FAZ TODA A DIFERENÇA

7.UTILIZAÇÃO DA CRANIOPUNTURA NO MANEJO DAS SEQUELAS DO ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO: REVISÃO DE LITERATURA

8.TÉCNICAS CIRÚRGICAS DE DESCOMPRESSÃO CRANIANA EVITANDO CIRURGIAS SECUNDÁRIAS: REVISÂO DE LITERATURA

9.TRAUMATISMO CRÂNIO-ENCEFÁLICO EM PACIENTES VÍTIMAS DE ACIDENTES DE MOTOCICLETAS

10.USO DO MANITOL NO COMBATE À HIPERTENSÃO INTRACRANIANA DE PACIENTE COM TRAUMATISMO CRÂNIO-ENCEFÁLICO

11.SÍNDROME DE WERNICKE-KORSAKOFF EM ETILISTAS E A RELEVÂNCIA DA TIAMINA NA TERAPIA MÉDICA E NUTRICIONAL

12.RELATO DE CASO DE ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL ISQUÊMICO NA INFÂNCIA

13.HIPERTENSÃO INTRACRANIANA: UMA REVISÃO DA FISIOPATOLOGIA

14.HEMIANOPSIA POR HEMATOMA CEREBRAL

15.HEMATOMA SUBDURAL AGUDO E A APLICAÇÃO DO INDICE DE ZUMKELLER

16.ENCEFALOPATIA TRAUMÁTICA CRÔNICA E SUAS CONSEQUÊNCIAS EM PRATICANTES DE LUTAS ESPORTIVAS

17.DOPPLER TRANSCRANIANO NA PREVENÇÃO DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO EM CRIANÇAS PORTADORAS DE ANEMIA FALCIFORME

18.MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA HEMORRAGIA INTRACEREBRAL ESPONTÂNEA

19.CEFALÉIA SENTINELA COMO SINAL DE HEMORRAGIA SUBARACNÓIDE

20.CEFALEIA SENTINELA: UM ALERTA PARA HEMORRAGIA SUBARACNÓIDE POR RUPTURA DE ANEURISMA INTRACRANIANO

21.MONITORAÇÃO DA PRESSÃO INTRACRANIANA: "MAIS QUE UM NÚMERO".

22.AVALIAÇÃO CLÍNICO RADIOLÓGICA DAS MICROANGIOPATIAS CEREBRAIS

23.ACHADOS DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA ENCEFÁLICA SUGESTIVOS DE MENINGITE NO PÓS-OPERATÓRIO DE RETIRADA DE ASTROCITOMA COM CRANIECTOMIA OCCIPTAL: RELATO DE CASO

24.COAGULOPATIAS E AGRAVOS NO PROGNÓSTICO DE TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO

25.A ESCALA DE NIHSS E SUA RELACAO COM A TROMBOLISE

26.RELATO DE CASO: TROMBOSE VENOSA CEREBRAL DO SEIO SAGITAL

27.TRATAMENTO CIRÚRGICO DA CONTUSÃO CEREBELAR: RELATO DE CASO

28.IDENTIFICAÇÃO DE CEFALEIA SENTINELA COMO DIAGNÓSTICO PREVENTIVO DE HEMORRAGIA SUBARACNOIDEA

29.TROMBOSE VENOSA ENCEFÁLICA: REVISÃO DA LITERATURA

30.TRATAMENTO DE URGÊNCIA EM ANEURISMA CEREBRAL ROTO


31.ICH SCORE: COMO DETERMINAR? REVISÃO DE LITERATURA


sexta-feira, 27 de março de 2015

Edital de Seleção de Novos Membros LIPANI 2015 - Turma 02

Estão abertas as inscrições para seleção de novos membros da Liga Paraibana de Neurointensvismo.



Prova de seleção será constituída de DUAS etapas:
I - PRIMEIRA ETAPA: Prova objetiva dia 22 de abril de 2015, 20h no auditório do Hospital de Trauma (João Pessoa - PB) - 60% da nota final;
II - SEGUNDA ETAPA: Prova subjetiva e entrevista para avaliar perfil do candidato dia 29 de abril de 2015, 20h no auditório do Hospital de Trauma (João Pessoa - PB) - 40% da nota final.

Inscrições serão realizadas no I Congresso Paraibano de Neurointensivismo.

É de fundamental importância para realizar a prova:
I - Cursar Medicina;
II - Participar do Minicurso Escalas em Neuroemergência (16 de abril).

As principais informações estão no edital oficial.

EDITAL OFICIAL: DOWNLOAD

Obs: Após abrir o link acima salve o documento pressionando no botão indicado com seta vermelha.



sábado, 28 de fevereiro de 2015

I Congresso Paraibano de Neurointensivismo

www.cenepb.com

  • Trabalhos até 15.03.2015
  • Inscrições (LOTE 1) --- R$ 65,00 (Estudante); --- R$ 90,00 (Médico); --- R$ 70,00 (Outros Profissionais de Saúde).
  • Local: CRM-PB
  • Dias: 16,17 e 18 de ABRIL de 2015
  • Minicursos: Neurorradiologia; Monitoração Multimodal; Escalas em Neurotrauma
  • Inscrições pelo site: www.cenepb.com


Prezado Colega,

A diretoria do I Congresso Paraibano de Neurointensivismo, projeto idealizado pela Liga Paraibana de Neurointensivismo juntamente com o Centro de Estudos em Neuroemergência da Paraíba, anuncia, com muita satisfação, que o grande encontro cientifico relacionado com neurointensivismo será realizado no Conselho Regional de Medicina de João Pessoa, Paraíba, no período de 16 a 18 de Abril de 2015.
O principal objetivo é promover a integração dos pesquisadores das áreas relacionadas com neurointensivismo, neurocirurgia e neurologia e assim trocar ideias, conhecimento e experiências.
Estamos organizando o I Congresso Paraibano de Neurointensivismo com muita dedicação para que você se sinta em casa durante esses três dias.
O evento ocorrerá juntamente com o Simpósio de Neurointensivismo da Paraíba, dentro do qual haverá minicursos em diversos temas como Neurorradiologia, Monitoração Multimodal, Neuroanatomia Microcirúrgica e Escalas em Neurotrauma, com o apoio do presidente do congresso, Dr. Gustavo Patriota, contemplando uma exímia grade científica que visa aprofundar o entendimento teórico e prático dos participantes. Além disso, contaremos com a presença de renomados convidados nacionais, que são referências em suas especialidades e que muito contribuirão para o êxito do evento.
Contamos com o sua presença para que o encontro seja ainda mais completo.

Um grande abraço e até lá!
______________________________________________________

Mensagem do Presidente

É com imensa alegria e satisfação que realizaremos o I CONGRESSO PARAIBANO DE NEUROINTENSIVISMO, na cidade de João Pessoa, Paraíba. Esse evento representa o amadurecimento da subespecialidade no estado e contará com a participação de uma equipe multiprofissional.

Exercer o neurointensivismo no Brasil é uma tarefa para poucos já que demanda conhecimento técnico específico e a utilização de tecnologia de última geração. Apesar da divulgação da especialidade através das pós graduações existentes no país, este evento se faz necessário, pois tem a finalidade de unir equipes multiprofissionais com um único objetivo: o êxito do paciente.

A divulgação de protocolos assistenciais, discussão de temas polêmicos, apresentação de trabalhos científicos fará com que o congressista absorva o que há de mais importante nesta especialidade: “NEUROMONITORAÇÃO MULTIMODAL E PREVENÇÃO DE LESÃO SECUNDÁRIA”.


SEJAM BEM VINDOS A JOÃO PESSOA E TENHAM UM EXCELENTE CONGRESSO!!!

Atenciosamente,
Dr. Gustavo Cartaxo Patriota
Neurocirurgião/Neurointensivista
Presidente do I Congresso Paraibano de Neurointensivismo




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A Hemorragia Subaracnóidea e sua Relação com Alterações Oftálmicas

A Hemorragia Subaracnóidea (HSA) é uma hemorragia intracerebral que se estende para o espaço subaracnóideo, usualmente ocupando cisternas basais. Nos casos de HSA espontânea, deve-se investigar a presença de aneurisma (adultos principalmente) e malformação arteriovenosa (crianças e jovens) para que se estabeleça diagnóstico e prognóstico mais precisos.

Uma alteração oftálmica clássica encontrada é a alteração no nervo oculomotor devido à compressão do mesmo por aneurismas de artéria comunicante posterior, resultando em um quadro clínico onde o paciente apresentará perda de todo o movimento da musculatura ocular extrínseca (com exceção dos músculos reto lateral e oblíquo superior), perda da regulação da convergência do cristalino e midríase do lado onde se encontra o aneurisma por paralisia dos músculos ciliar e esfíncter da pupila respectivamente.

Figura 1: Paciente com perda da função do nervo oculomotor direito devido aneurisma de artéria comunicante posterior, observando-se ptose palpebral (paralisia do músculo elevador da pálpebra superior).

Outras alterações oftálmicas que merecem destaque são as causadas por aneurisma de artéria oftálmica, ramo da artéria carótida interna que irriga o bulbo ocular e formações anexas. Pacientes com aneurismas nesta localização relatam diminuição da acuidade visual devido compressão da artéria pelo aneurisma.


Figura 2: Tomografia de crânio com presença de aneurisma em território de artéria oftálmica.




Referências

Locksley HB Report on cooperative study of intracranial aneurysms and subaracnoid hemorrhage, section v, Part II : Natural history  of subaracnoid hemorrhage, intracranial aneurysms  and arteriovenous  malformations. J Neurosurgery 1966; 25: 321-368.

Youmans, Julian R.  Neurological Surgery volume 2 1996.
Por: Carolinne Queiroga
Acadêmica de Medicina
Vice-presidente da LIPANI


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O quadrilátero de Pierre Marie e o Neurointensivism

Os Acidentes Vasculares Encefálicos Espontâneos mais frequentes estão associados à hipertensão arterial e localizados em sua grande maioria nos gânglios da base e tálamo, o que explica a relação do neurointensivismo com o quadrilátero de Pierre Marie, que sugere um distúrbio de linguagem a partir do comprometimento de algumas estruturas localizadas na área supracitada.
Figura 1: AVE Hemorrágico comprometendo o quadrilátero de Pierre Marie.

Figura 1: AVE Hemorrágico comprometendo o quadrilátero de Pierre Marie.


Para Marie (1906/1926d), o distúrbio fonético, um termo ainda inexistente na época, não pertencia ao domínio da afasia e deveria ter um outro nome. Ele sugeriu chamá-lo de "anartria". Segundo o autor, esse quadro é específico da emissão oral, sem outra alteração e, portanto, sem afasia. As emissões do paciente são distorcidas e incompreensíveis, o que torna possível confundir a anartria com a afasia de Broca. Entretanto, em oposição aos afásicos, os anártricos entendem perfeitamente o que lhes é dito, incluindo frases complexas e, além disso, podem ler e escrever.

Pierre Marie mantinha, entretanto, que a verdadeira afasia não se caracteriza pela ausência da elocução, mas por um distúrbio da compreensão, ou seja, um tipo particular de distúrbio intelectual e por anomalias na leitura e na escrita. Essas considerações, assim como sua rivalidade contra Dejerine, levaram-no a formular a famosa equação ¾ a lei de Pierre Marie sobre a natureza essencialmente diferente entre anartria e afasia:

"Afasia de Broca = Afasia de Wernicke + Anartria."


Pierre Marie também tinha suas idéias quanto às localizações lesionais da anartria e da afasia. Ele atribuía à primeira um distúrbio em diferentes componentes cerebrais, que mais tarde receberam o nome "quadrilátero de Pierre Marie": (1) proximidades do núcleo lenticular, isto é, o joelho da cápsula interna; (2) parte da cápsula externa; e assim como (3) possibilidade de uma lesão na zona do núcleo lenticular do lado direito.

Referência:
LECOURS, André Roch; PARENTE, Maria Alice de Mattos Pimenta; FEIJO, Adriana Vélez  and  MAIA, Alberto. Anartria Pura: Estudo de Dois Casos. Psicol. Reflex. Crit. [online]. 2001, vol.14, n.2, pp. 367-377. ISSN 0102-7972.  http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722001000200011.

Por: Carolinne Queiroga
Acadêmica de Medicina
Vide-presidente da LIPANI

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

I CONGRESSO PARAIBANO DE NEUROINTENSIVISMO

Prezado Colega,

A diretoria do I Congresso Paraibano de Neurointensivismo, projeto idealizado pela Liga Paraibana de Neurointensivismo juntamente com o Centro de Estudos em Neuroemergência da Paraíba, anuncia, com muita satisfação, que o grande encontro cientifico relacionado com neurointensivismo será realizado no Conselho Regional de Medicina de João Pessoa, Paraíba, no período de 16 a 18 de Abril de 2015.
O principal objetivo é promover a integração dos pesquisadores das áreas relacionadas com neurointensivismo, neurocirurgia e neurologia e assim trocar ideias, conhecimento e experiências.
Estamos organizando o I Congresso Paraibano de Neurointensivismo com muita dedicação para que você se sinta em casa durante esses três dias.
O evento ocorrerá juntamente com o Simpósio de Neurointensivismo da Paraíba, dentro do qual haverá minicursos em diversos temas como Neurorradiologia, Monitoração Multimodal, Neuroanatomia Microcirúrgica e Escalas em Neurotrauma, com o apoio do presidente do congresso, Dr. Gustavo Patriota, contemplando uma exímia grade científica que visa aprofundar o entendimento teórico e prático dos participantes. Além disso, contaremos com a presença de renomados convidados nacionais, que são referências em suas especialidades e que muito contribuirão para o êxito do evento.
Contamos com o seu apoio e presença para que o encontro seja ainda mais completo.

Um grande abraço e até lá!

www.cenepb.com

Mensagem do Presidente

     É com imensa alegria e satisfação que realizaremos o I CONGRESSO PARAIBANO DE NEUROINTENSIVISMO, na cidade de João Pessoa, Paraíba. Esse evento representa o amadurecimento da subespecialidade no estado e contará com a participação de uma equipe multiprofissional.

     Exercer o neurointensivismo no Brasil é uma tarefa para poucos já que demanda conhecimento técnico específico e a utilização de tecnologia de última geração. Apesar da divulgação da especialidade através das pós graduações existentes no país, este evento se faz necessário, pois tem a finalidade de unir equipes multiprofissionais com um único objetivo: o êxito do paciente.

      A divulgação de protocolos assistenciais, discussão de temas polêmicos, apresentação de trabalhos científicos fará com que o congressista absorva o que há de mais importante nesta especialidade: “NEUROMONITORAÇÃO MULTIMODAL E PREVENÇÃO DE LESÃO SECUNDÁRIA”.


SEJAM BEM VINDOS A JOÃO PESSOA E TENHAM UM EXCELENTE CONGRESSO!!!


Atenciosamente,
  
Dr. Gustavo Patriota


NEUROCIRURGIÃO/ NEUROINTENSIVISTA
MEMBRO TITULAR DA SOCIEDADE E ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROCIRURGIA

COORDENADOR DO DEPARTAMENTO DE NEUROINTENSIVISMO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROCIRURGIA
COORDENADOR NEUROCIRURGIA DO HOSPITAL DE EMERGÊNCIA E TRAUMA SENADOR HUMBERTO LUCENA

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Hidrocefalia Comunicante Aguda

A hidrocefalia é o acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano no sistema ventricular cerebral. Há basicamente três tipos de hidrocefalia: Obstrutiva, que ocorre quando há um bloqueio no sistema ventricular, sendo nesse caso uma forma Não-comunicante; Não-obstrutiva, que é causada por um desbalanço no sistema de produção e absorção do líquor, se comportando como uma forma Comunicante; De pressão normal, que acomete mais frequentemente idosos.

No Adulto, uma grande causa de hidrocefalia aguda é o traumatismo Crânioencefálico (TCE). Descartada essa possibilidade, uma outra hipótese a ser levantada é a presença de infecções como caxumba, citomegalovírus, hepatite e, principalmente, meningite. O diagnóstico deve ser feito com base na história clínica do paciente associado aos exames de imagem como Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética.

Na hidrocefalia aguda, o grau de compressão cerebral pelo excesso de líquor pode ser tão importante que pode levar o paciente ao coma. Dessa forma, é fundamental que seja realizada o mais breve possível a drenagem desse líquor através da colocação de um cateter ventricular, procedimento conhecido como Drenagem Ventricular Externa (DVE). Nos casos de suspeita de meningite, é importante que se realize a coleta e análise laboratorial completa do líquor, a fim de confirmar ou afastar a hipótese de meningite.

Figura 1: Paciente portador de hidrocefalia comunicante aguda atraumática



Referências:

ABC.MED.BR, 2012. O que é hidrocefalia? Quais as causas e os sintomas? Como é o tratamento?. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/330579/o-que-e-hidrocefalia-quais-as-causas-e-os-sintomas-como-e-o-tratamento.htm>. Acesso em: 4 fev. 2015.


http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=1&materia_id=442&materiaver=1


Por: Leomar Maia
Acadêmico de Medicina
Secretário da LIPANI

sábado, 24 de janeiro de 2015

Síndromes Pontinas

Síndrome de Millard-Gubler
Na síndrome de Millard-Gubler ocorre uma lesão na base da ponte, comprometendo o trato corticoespinal e as fibras do nervo abducente, resultando em um quadro de hemiplegia cruzada, paralisia facial periférica e lesão do nervo abducente ipsilaterais. A lesão do nervo abducente causa paralisia do músculo reto lateral do mesmo lado da lesão, impossibilitando o movimento de abdução do globo ocular do lado acometido, e o paciente passa a apresentar diplopia e estrabismo convergente, este por ação do reto medial não contrabalançada pelo reto lateral.

Síndrome de Foville (Síndrome de Raymond-Foville)
A síndrome de Foville caracteriza-se por paralisia facial periférica e paralisia do olhar conjugado horizontal (na direção da lesão) ipsilaterais e hemiparesia contralateral. Geralmente a lesão situa-se na região inferior da ponte e envolve o trato corticoespinal, causando hemiparesia contralateral, a formação reticular pontina paramediana (FRPP) e/ou o núcleo do nervo abducente, resultando em paralisia do olhar conjugado, além do núcleo ou fibras do nervo facial, levando a paralisia facial periférica.

Síndrome de Gellé
A síndrome de Gellé foi descrita em 1901, e consiste em surdez ipsilateral, vertigem, paralisia facial variável e hemiparesia contralateral. Nessa síndrome a lesão está situada na região ântero-lateral da parte inferior da ponte e envolve o nervo vestibulococlear (NC VIII) e fibras do trato corticoespinal, com comprometimento variável do nervo facial.

Figura 1: Hemorragia ao nível da ponte

REFERÊNCIAS:
1- MACHADO, A.; HAERTEL, L. M. Considerações Anatomoclínicas sobre a Medula e o Tronco Encefálico. Neuroanatomia Funcional. 3 ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2014. p. 185-194 
2- AFIFI, A. K.; BERGMAN, R. A. Ponte: Correlatos clínicos. Neuroanatomia Funcional. 2 ed. São Paulo: Editora Roca, 2007. p.133-139.

3- FILHO, M. B. L. et al. Acidente vascular de tronco encefálico. Arq Neupsiquiatr. v. 53, n. 01, p. 364-367, 1995. 

Por: Thiago Sipriano
Acadêmico de Medicina
Convidado da LIPANI