sexta-feira, 3 de novembro de 2017

COMO SE EXPLICA A DESCEREBRAÇÃO E A DECORTICAÇÃO?

Dentre as posturas patológicas causadas por danos cerebrais, temos a decorticação e a descerebração. Essas respostas motoras em pacientes com baixo nível de consciência são testadas através da aplicação de estímulos nociceptivos e da observação e registro da resposta motora apresentada pelo paciente.


Uma transecção completa do tronco encefálico entre os colículos superiores e inferiores permite que as vias do tronco funcionem independentemente das aferências de estruturas cerebrais superiores, esse efeito é chamado de descerebração mesencefálica inferior. Essa lesão interrompe toda aferência oriunda do córtex e do núcleo rubro, interrompendo os tractos motores rubro-espinal e cortico-espinal, ambas vias responsáveis pela flexão de músculos sendo que o tracto rubro-espinal está associado a flexão da parte proximal dos membros superiores. Os tractos responsáveis pela extensão dos músculos tais como os tractos vestibulo-espinal e reticulo-espinal permanecem intactos. A dominância da sinalização das vias sensoriais ascendentes para os neurônios da via reticulo-espinal excitatória leva a rigidez de descerebração, a qual é caracterizada pela hiperatividade dos músculos extensores nos 4 membros, podendo haver opistótono e oclusão da mandíbula.





















Decorticação é a postura observada em casos de lesões ao nível ou acima do pedúnculo cerebral superior, típico de lesões diencefálicas ou cortical difusa grave. Quando o paciente mantém-se deitado, assume uma postura imóvel e muito rígida. Caso seja aplicado algum estímulo, pode haver uma exacerbação da postura, que é caracterizada pela adução, flexão do cotovelo, flexão do punho e dos dedos do membro superior, e hiperextensão, flexão plantar e rotação interna do membro inferior. Nessa condição, é afetado e interrompido o trato motor córtico-espinal, responsável pela flexão dos músculos. Já o trato rubro-espinal, responsável pela flexão dos músculos do membro superior, encontra-se íntegro apesar de ter perdido a conexão com vias ativadoras do córtex. A hiperexcitabilidade extensora nos membros inferiores devem-se a mesma alteração que ocorre após hemorragia ou trombose de cápsula interna.
























REFERÊNCIAS:
RAFF H.; LEVITZKY M. FISIOLOGIA MÉDICA: Uma abordagem Integrada. 1.ed. São Paulo: AMGH Editora, 2012.

MAYER, V.N.K. POSTURAS PATOLÓGICAS NAS LESÕES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL. Disponível em: <http://www.lelaludens.com.br/documentos/POSTURAS/20PATOL/C3/93GICAS/20NAS/20LES/C3/95ES%20DO%20SISTEMA%20NERVOSO%20CENTRAL.pdf> Acesso em 31 Out. 2017. 


Por: Bruno Novais
Acadêmico de Medicina
Membro da Lipani